“Eu quero que você bata em mim o mais forte que puder”, diz Tyler Durden (Brad Pitt) a um jovem executivo (narrador da história) que busca sentido para uma vida medíocre (Edward Norton), no filme Clube da Luta (Fight Club. David Fincher. 1999. EUA). Indignado, o jovem executivo questiona: - Porque? Ao que lhe responde Tyler: - Como você pode se conhecer se nunca esteve numa luta?
Uma proposta semelhante foi feita pelos jovens paraenses Miguel Haoni, Mateus Moura e Francisco Weyl esta semana em Marabá durante a primeira Oficina de Cineclubismo promovida de 24 a 28/05/10, no acolhedor auditório da Fundação Casa Casa da Cultura.
Estes jovens lutadores - idealizadores e ministrantes do Projeto INOVACINE, em parceria com a FAPESPA – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará e a APJCC Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema, deram um verdadeiro show de luta, porque o fazem por sua grande paixão: o cinema. Mais ainda, pela ne-ces-si-dade de radicalizar, confrontar lendas e mitos, esculpir o valoroso ato de dialogar criticamente sobre produções audiovisuais para a grande tela. São contra a redução, a demagogia, o conforto massificado, comercial e agradável que tanto se vê.
Como eles mesmos dizem, “É preciso apanhar”, lutar contra a indiferença pela arte e o ofício de se fazer cinema. O espaço cineclubista é um Clube da Luta sim, mas com propostas diferentes das encontradas no filme supracitado. Não se trata de formar um grupo clandestino de seguidores. A diferença é que num cineclube poderemos discutir os “porques” do cinema utilizando suas terminologias de forma bem acessível, seja com a presença de profissionais ligados ao cinema ou não.
Em síntese, o cineclube é um espaço democrático e totalmente legal. Uma oportunidade na qual são abordados temas como estética, movimentos de câmera, planos-sequência, iluminação, etc, sem nos resumir a falar sobre atores de olhos azuis ou atrizes sensuais.
Muito mais que apaixonados por cinema, os “três mosqueteiros” Miguel, Mateus e Francisco são militantes culturais. Estão arando o solo paraense com um verdadeiro trabalho braçal por amor à Sétima Arte, semeando idéias cineclubistas entre os participantes, convidando-os a descruzarem os braços e saírem da retidão de seus quartos e casas. O cinema corre em suas veias e pulsa tão forte que os trouxe até aqui, com a itinerância do INOVACINE e a verdadeira proposta feita por eles: transbordar a práticas cineclubistas por este Parazão afora.
Tal qual no filme Clube da Luta, acredito que Miguel, Mateus e Francisco vieram a Marabá nos provocar com a seguinte pergunta: - Como você pode se conhecer se nunca esteve numa luta? Ao final da oficina, posso afirmar que eles vieram nos provocar antes que nos acovardamos de vez, e depois nos dirão, como na trama mencionada: “No fim, você vai me agradecer”.
Considerando que o cineclubismo tem mais de 80 anos de processo histórico no Brasil e por isso, uma de suas maiores vertentes em terra tupiniquins, eis o convite a participar de um movimento bastante sério, nem por isso quieto e/ou acomodado. Bem-vindos ao clube! Ou melhor, ao CINECLUBE!
P.S. A blogueira aqui busca parcerias para empreender o Cine MarabArte, e montar sessões quinzenais em Marabá, que tal? Comentem o que der na telha! Aguardo contato dos interessados.
Besos y hasta la vista!


peço permissão pra publicar no blog do inovacine... posso?
ResponderExcluirta lindo!
O movimento é forte cara Lu, muito mais do que imaginas, somos nós os cineclubistas que iremos salvar o cinema novo, a vanguarda está em todos os cantos. abraços fortes e boas sessões, quando precisar conte conosco. Labirinto Cinema Clube. (Ivan Oliveira)
ResponderExcluir"Como você pode se conhecer se nunca esteve numa luta?" - bela frase do filme! É pura "Fenomenologia do Espírito", de Hegel! Enfim, a (auto) consciência nasce da luta! Adorei o artigo! Parabéns!
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